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BRASIL, Nordeste, SALVADOR, Homem, de 56 a 65 anos Outro - www.paraisomartins@bol.com.br
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Contrastando com a paisagem de concreto dos centros urbanos, havia no meu tempo de criança, os quintais. Quem, de minha época, não se recorda de um grande quintal onde as nossas fantasias de criança andavam soltas entre as jaqueiras, bananeiras, goiabeiras, grama, capim e a terra generosa a reter com firmeza nossos pés? Sabíamos bem o lugar que estávamos pisando... Era nosso território, nosso mundo inocente e puro. Hoje, quando me lembro do quintal da casa de Dr. Rodolfo Isauro Dantas, pai de um grande amigo e conterrâneo, de Valença-BA, a quem dedico agora este poema, a vida me arrebata e me salta aos olhos marejados recordando o quanto éramos felizes!...

NO TEMPO DOS QUINTAIS
Ao grande amigo Rodolfo Isauro Dantas Júnior
Sei que não volta mais,
Mas está em nossas vidas
Como lembrança querida,
O tempo dos quintais
Das frutas preferidas
À harmoniosa amizade
Eram repletas nossas vidas
Oh, que boa saudade!
Ali era nosso caminho
Com os pés sobre a terra
O canto dos passarinhos
E o cheiro vivo da relva.
Cana roxa, e também tinha,
Jaqueira, goiaba e abiu,
Era um lar que nos acolhia,
Era um tempo primaveril.
As borboletas multicores
Anunciavam a primavera
Não conhecíamos as dores
A vida era só quimera.
Hoje, ao ver nossos cabelos
Grisalhos e desbotados,
Amigo, faço-lhe um apelo,
Deixe n’alma este agasalho:
Não se esqueça daquele mundo
Foi o nosso amor primeiro
De sonhos, vida e folguedos,
Onde tudo era ingênuo e puro,
E onde não havia segredos.
Ângelo Paraíso Martins
Escrito por Angelo Paraiso Martins às 01h14
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Nestes
N Nestes dias áridos, onde grassa o individualismo e o anonimato, quando encontro gente de sensibilidade fico muito feliz. Constato que existem pessoas preocupadas com o ser humano e seu vazio diante da indiferença do homem pelo homem. Ainda mais quando se trata de um bom poeta. Foi o que aconteceu há alguns dias ao conhecer, no curso Degrau, o Professor de Português, Sidney Lima, dotado de uma capacidade artística ampla, pois além de poeta é também pintor. Atendendo a um pedido meu, enviou-me algumas poesias e escolhi estas duas para vocês. Espero que, como eu, também apreciem o valor, o sentimento e a grandeza deste Poeta.
Sidney Silva Lima, nascido em Ilhéus, Bahia, em 1959, formado em Letras vernáculas com especialização em Estudos Lingüísticos e Literários pela Universidade Federal da Bahia e em Licenciatura em Desenho e Arte. Atualmente dedica-se profissionalmente ao ensino de Língua Portuguesa e, paralelamente, à pintura e ao estudo poético como eterno aprendiz, participou do CEPA (Círculo de Estudo, Pensamento e Ação) do Professor Germano Machado em 1985.
SONETO DA ALMA PERDIDA
Sidney Lima
Minh'alma navegava pela lua, no mundo em que só a ela pertencia, no louco afã de encontrar a tua, achando que encontrava; te perdia.
Minh'alma insistente continua buscando a ti em triste agonia, rasgando o peito e a alma quase nua, nem escutava o que a razão dizia:
_Não sei por que teu peito insano chora, julgando estar o outro ser distante, se é no teu peito mesmo que ele mora...
deixa de olhar além por um instante, ouve as batidas do teu peito agora, e entrega o amor que ali já há o bastante!...
O CHORO E A CHUVA
Sidney Lima
CHOREI NA CHUVA UM DIA,
E A ÁGUA DOCE SE MISTUROU ÀS LÁGRIMAS...
JÁ NEM ME LEMBRO BEM
O MOTIVO DA DOR... DA AGONIA
JÁ NEM SABIA
SE AS GOTAS QUE ME MOLHAVAM
ERAM DAS LÁGRIMAS SALGADAS
OU DA CHUVA DOCE...
JÁ NEM ENTENDIA
SE ERA MINHA ALMA QUE CHOVIA
OU SE ERA LÁGRIMA QUE DO CÉU CAÍA...
A CHUVA MOLHOU MINHAS LÁGRIMAS;
E, COMO ERA DOCE, A CHUVA ABRANDOU
A DOR QUE MEU PEITO SENTIA...
Escrito por Angelo Paraiso Martins às 23h40
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VAGAS DO TEMPO II
Meu pai fez da virtude exemplo para seus filhos e para quem com ele conviveu. Passou para todos a sua dignidade imorredoura. Fez de sua companheira, minha mãe Olinda, sua melhor amiga e maior bem. Para mim, depois de vinte e cinco anos de convívio com ele no comércio, me deixou o binômio: DIGNIDADE E SOLIDARIEDADE que associado à minha companheira e a meus filhos, iria livrar-me da escravidão do vício e de todo mal que tentava me destruir.
NAS VAGAS DO TEMPO O ENCONTREI MEU PAI, SEMPRE PLÁCIDO E SERENO. ETERNAMENTE SERENO...

Gentil Paraíso Martins
Vagas do tempo II
Para meu pai, Gentil Paraíso Martins, in memoriam
Retornei ao passado
Para de novo encontrar
Passeando no quintal,
Bem ao meu lado,
Um homem já velho
De hábitos simples.
Andava entre as flores
Em pleno entardecer
Na calma das cores
Que ornava seu passo.
Era plácido e belo
Aquele bom amigo
Tão puro e sincero.
Tirava de minha vida o tédio.
Via por seu intermédio
A lucidez de amar,
Tão puro que era o seu olhar.
Em seu assobio eu sempre ouvia
Soprar a calma, a beleza e a alegria.
Meu velho querido,
Tão bom amigo!
Dizia assim em seu assobio:
As tardes não são vazias,
O amanhã é um novo dia
De tão novas vidas e lidas
E de novas conquistas.
Ângelo Paraíso Martins
Escrito por Angelo Paraiso Martins às 23h23
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Hoje, 31 de agosto, estou fazendo sessenta anos, cantados neste soneto exaltando a capacidade de renovação presente em todos nós. Portanto, exercitando conceitos, podemos dizer que mocidade e velhice são um estado de espírito, obviamente, como diz Juca Chaves: “...não faça da velhice uma desculpa, nem da juventude profissão...”
Logo abaixo publico VIAGEM, uma poesia dedicada a EDNIR que faz amanhã, 1º de setembro, 55 anos. Considero o poema mais bonito e significativo que fiz para ela. Espero, com estas poesias, passar uma mensagem de vida e esperança para todos.
LIRA DOS SESSENTA ANOS
Eis que a juventude desencantada
Canta em minha lira renovada.
Não mais me iludo, não há engano
Canto na lira dos sessenta anos.
Temos que renovar para não morrer,
Como é preciso amar para crescer.
Por isto, aqui estou em paz para afinar
A lira branda que me fez voltar
A cantar minha musa e eterna amada;
Aos tempos vividos apesar dos danos;
Amar o próximo e agora exaltando,
O amor – compensação da jornada.
Construído na dura caminhada
Sem se deixar abater pelos anos.
Ângelo Paraíso Martins
VIAGEM
Para Ednir.
Queria ver através de tua lente
O castanho real dos olhos teus
E para sempre guardar latente
Em tuas retinas os olhos meus.
E num romance louco me apossar
Da tua tez e de teus cabelos.
Agarrar-me a eles e poder viajar,
Numa viagem, em volúpia, entre teus pêlos.
Neste roçar louco, ouvirias os meus apelos.
Num colorido imenso, o tempo,
Varreria a tristeza do nosso olhar.
E todo tempo, haveria tempo ainda,
De em ti, por inteiro, me encontrar.
No vazio imenso do infinito
Ou nas praias infindas do mar,
Dançaríamos a sós ao vento
Com teus cabelos a esvoaçar.
Então, eu veria através de minha lente,
O castanho real dos olhos teus.
E seriam tão castanhos e tão reais
Que chorariam de amor os olhos meus...
Ângelo Paraíso Martins
Escrito por Angelo Paraiso Martins às 21h46
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CANÇÃO DE ESPERANÇA
Caindo e levantando aqui estou. Não para brindar por vitórias nem chorar por derrotas, mas para viver a esperança, tão parca em nossos dias. Quero, neste poema, cantar o amor, um novo dia de paz e alegria e cheio de esperança do verbo esperançar – como dizia o sábio educador Paulo Freire - e não esperança do verbo esperar. Mas, se tivermos que esperar, esperemos por um bem maior para mais tarde; para daqui a um ano; para daqui a uma década. Mais ainda, se não para nós, para nossos filhos ou nossos netos. Só não podemos calar no peito a ESPERANÇA, remédio para todos os males humanos.
  
CANÇÃO DE ESPERANÇA
Estou aqui de mãos estendidas.
Passei por estradas estreitas
E muitas vezes sinuosas.
Não trago comigo riquezas ou virtudes,
Nem sabores acadêmicos.
Trago a vida simples, em sua plenitude.
Trago também entre meus dentes
O hálito fresco da breve juventude.
Vê meus cabelos grisalhos?
São gotas cristalinas de orvalho.
Cada gota recebi contente
E hoje as trago claramente,
Como estrelas ardentes.
Ardentes, porque sofri e amei!
Amei as árvores, os rios, o mar.
Amei os homens bons e ruins
E por eles chorei tanto...
Por minha amada que me fez santo,
Chorei, chorei todos os meus prantos
E me desfiz em água, fonte de vida,
Fonte de puro murmúrio de amor.
Estou aqui, feliz cordeiro,
A bradar ao mundo inteiro!
Sofri, mas sou intensamente feliz.
E de tanto amor marejei meus olhos
Mas, não me escondi nas brumas.
Sofri, sangrei e amei, talvez para trazer
O sorriso mais puro, o amor mais sincero.
Dores, também as trago comigo,
Mas sem ser triste nem obscuro.
Falo com a clareza de um homem
Que, em sua pequenez, apesar das dores,
Ama o ser humano e este desencantado mundo!
Ângelo Paraíso Martins
Escrito por Angelo Paraiso Martins às 21h42
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Que o eterno não seja só DEUS, mas a essência do que nos foi por ELE ensinado. Que sejam eternos também nossos amores, nossos valores, nossos deveres e, mais ainda, nossa misericórdia para com o próximo. Busquemos o eterno e não o etéreo; a essência e não a aparência. Por fim, busquemos o amor!...
HÁ QUE SER ETERNO...
Para meu eterno amor, EDNIR.
Há que ser eterno,
Este nosso afeto,
Este nosso amor.
Há que ser eterno,
Seremos felizes,
Mesmo com a dor.
Será imortal
E será total
O nosso fervor
Mesmo contra tudo
Seguiremos juntos
Seja aonde for
E depois de tudo
Sempre, sempre juntos
Seremos só amor!
Ângelo Paraíso Martins
Escrito por Angelo Paraiso Martins às 22h35
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Sou a perspectiva de ser o AMOR em sua essência de se dar ao próximo, como nos ensinou o mestre JESUS CRISTO. Por isso este arroubo, talvez um tanto quanto pretensioso, vez que os defeitos humanos seriam uma barreira quase inexpugnável. No entanto, estou aqui, caindo e levantando, querendo chegar lá aonde o AMOR habita.
SEREI
Serei na vida meu próprio portador.
Aquele que não manda recados,
responsável pelos meus pecados.
Serei ódio e, em plenitude, também amor.
Apesar de minha inconstância humana
não irei pedir a ninguém conselhos.
Serei meu confidente e conselheiro,
não devo enganar, se alguém me engana.
Sedento para encontrar paz interior,
chamarei por Deus, em meu clamor!
Não hei de me vergar a quem não ama.
E se a maldade de outro ser emana,
por não despir a face desumana,
com este quero estar, levando amor!
Ângelo paraíso Martins
Escrito por Angelo Paraiso Martins às 23h48
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ALMA SERENA
QUANDO CHEGUEI EM SALVADOR PARA MORAR, HÁ 6 ANOS, CONHECI ATRAVÉS DA REVISTA ARTPOESIA, O POETA, CARLOS ALBERTO BARRETO, COM QUEM FIZ GRANDE AMIZADE.
CARLOS ALBERTO BARRETO, O BARRETO, COMO É CHAMADO, FOI EDITOR DO MEU LIVRO VEREDAS DO AMOR E É EDITOR DA REVISTA ARTPOESIA COM CIRCULAÇÃO MENSAL HÁ 9 ANOS COM O SLOGAN: A POESIA EXISTE, INSISTE E RESISTE. É UM CIDADÃO MANSO E GENEROSO. COM A SUA CALMA CHEIA DE HUMANIDADE, O POETA PERSONIFICA A PRÓPRIA POESIA, RAZÃO DE SER DESSES VERSOS.

ALMA SERENA
Para o poeta Carlos Alberto Barreto (Barreto)
Quanto és despojado,
quanto és bom de coração!
Se tens angústias?
Guardas no lugar apropriado,
nos versos e nas canções!
Recebes com a mesma calma
as coisas boas e ruins.
Vê-se que não tens rancores,
tens a alma repleta de amores!
Segue, poeta em tua trilha
de esplendor e maravilhas.
Segue, a enfeitar esta vida
violenta, obscura e trivial.
Com a tua candura
que se fez ternura
na noite escura
dos homens maus.
Ângelo Paraíso Martins
Escrito por Angelo Paraiso Martins às 19h44
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Estou publicando este comentário em realce, não só por estar falando do meu trabalho, mas, acima de tudo, por se tratar de quem o fez. Foi feito pela escritora e poeta, STELLA SOARES GÓES, com quatro livros lançados: ENCONTROS COM A VIDA – poesias; ADEMAR SENA 100 ANOS DE VIDA – biografia; RESGATANDO A VIDA – prosa; (este já na 2ª edição) e MEU UNIVERSO, ORA EM PROSA...ORA EM VERSO... – poesia e prosa. Diante de seu brilhantismo como escritora, sua docilidade e sabedoria como ser humano, resolvi repassar em destaque para vocês:
A POESIA DE ÂNGELO X ESPERANÇA
..." POR ISSO AINDA TENHO ESTA TEIMOSIA LÍRICA DE FALAR DE AMOR!"
VIVEMOS DIAS MUITO TRISTES - O POVO NÃO CONFIA NOS GOVERNANTES,LEGÍTIMOS REPRESENTANTES DE SEUS DIREITOS. AOS JOVENS FALTA UM CÓDIGO DE RESPEITO ÉTICO BEM DEFINIDO, DE SEGURANÇA NACIONAL, DE AMOR PELA PÁTRIA, CUJA IDÉIA TRAGICAMENTE SE DESVANECE, NO EMARANHADO DA CORRUPÇÃO AVASSALADORA...
E NOS PERGUNTAMOS PESSIMISTAS: ATÉ QUANDO ESTE PESADELO VAI DURAR? O ASSUNTO É COMPLEXO E SÉRIO, MAS, ENQUANTO AGUARDAMOS DIAS MELHORES, AQUI VAI UM CONSELHO :
- JÁ LEU A POESIA DE ANGELO PARAISO MARTINS? ESTÁ POR AÍ CLAMANDO, CÉUS AFORA, NUM BLOG PEQUENINO, UMA INFINITA RECEITA DE ESPERANÇA!
SEM PREÂMBULOS !!! TODOS A ELA!
COMECE PELO FIM, LENDO " AVENIDA SETE! " DEPOIS, ADENTRE, LEVANDO CONSIGO APENAS, O CONSELHO DE CAMÕES:
"CESSE TUDO QUANTO A MUSA ANTIGA CANTA, PORQUE OUTRO VALOR MAIS ALTO SE ALEVANTA!" E VÁ EM FRENTE, LENDO A CARTILHA VIVA DE ÂNGELO " ESPERANÇA! "
STELLA SOARES GÓES
Escrito por Angelo Paraiso Martins às 01h13
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Este poema é dedicado aos trabalhadores da periferia de Salvador que vão ganhar o pão de cada dia na Avenida Sete de Setembro (chamada popularmente de Avenida Sete), a mais antiga de Salvador. Lá se encontram monumentos históricos como o Palácio da Aclamação, o prédio da Câmara Municipal, os principais Museus da Cidade, o Gabinete Português de Leitura, o prédio da Academia Baiana de Letras, o Jardim da Piedade, entre outros tantos Monumentos Históricos. É lá que, desde a chegada de Tomé de Souza, a Bahia pulsa e respira.

AVENIDA SETE
Vá pra Avenida Sete
Ver a cidade de frente.
É gente se batendo com gente.
Gente de todas as cores,
De todos os guetos,
Gente doente,
Pedindo esmolas,
Gente de todos os odores.
Gente vendendo água mineral,
Lanches e refrigerante
Pra sobreviver.
Camelôs gritando
E gente passando.
Isto | |